Minha história: Aline Kachel Araújo

Minha trajetória como tradutora profissional tem exatamente dois anos. Comecei a trabalhar como tradutora em tempo integral agosto/setembro de 2012. Porém, antes de chegar a esse ponto, passei muito tempo sem perceber que era esse o caminho que eu queria trilhar. Quando chegou a hora de escolher um curso superior, optei por Administração. Perto de me formar e ainda sem perspectiva de trabalhar na área, comecei o curso de Engenharia de Computação, o qual cursei durante dois anos.

Eu já fazia traduções como forma de aprendizado e passatempo desde os catorze anos. Principalmente de mangás (quadrinhos japoneses) e, depois de aprender japonês, light novels (livros de fácil leitura focados no público jovem). No entanto, o que realmente me fez perceber que eu poderia me tornar tradutora profissional foi uma publicação do extinto blog Pictolírica. Nele, a autora contou sobre como precisou converter uma memória de tradução do Trados para o Wordfast.

Até esse momento, eu nem sabia que a autora do blog em questão era tradutora. Essa leitura teve dois grandes efeitos em mim. O primeiro foi me apresentar às CAT Tools. Até então, achava que tradução era feita se escrevendo o texto em português e apagando o original em um documento de Word. Um método que me parecia meio enfadonho e altamente sujeito a erros. Saber que, além de segmentar os documentos, as CAT Tools tinham correspondências totais e parciais me fascinou. O segundo efeito foi perceber que ali estava alguém, com a mesma idade que eu, traduzindo profissionalmente. Vivendo disso.

A partir de então, final de 2010, comecei a realmente correr atrás de uma carreira na tradução. Não sabia por onde começar sequer a procurar, mas fiz meu perfil no Translator’s Cafe e enviei o meu currículo a algumas agências. Os primeiros resultados vieram apenas em maio do ano seguinte, com uma tradução voluntária e um projeto pequeno, de nem 100 palavras.

Em setembro de 2011, consegui um emprego no setor administrativo de uma empresa, mas ainda almejando me tornar tradutora.

Sabe quando se fica um bom tempo sem qualquer evento social e, de repente, surgem vários em um mesmo dia? Comigo, algo similar aconteceu em setembro de 2012. Consegui dois contatos que forneciam trabalhos constantes de tradução. Um de artigos simples, em estilo jornalístico, e outro com legendagem. Além disso, no início desse mesmo mês, fui à França, onde morei durante três meses.

Foi um período conturbado. Além da alteração de rotina pelo trabalho autônomo, houve, literalmente, uma mudança em minha vida. Se eu dissesse que foi tranquilo e fácil passar por todas essas mudanças de uma vez, estaria mentindo.

De volta ao Brasil, deixei de trabalhar com uma das empresas e fiquei apenas com a de legendagem. No início, fazia apenas tradução, mas me chamaram para fazer o controle de qualidade de uma série. Alguns meses depois, assumi o trabalho de edição dela. Em julho de 2013, surgiu um projeto que me forçou a aprender a marcar tempo em legenda. Ou seja, aproximadamente um ano após começar na legendagem profissional, eu tinha aprendido todas as atividades relacionadas a ela.

Parece que a primavera austral tem algum grande efeito em mim, pois tudo acontece quando essa estação está prestes a começar. Novamente entre agosto e setembro, agora de 2013, eu finalmente me senti uma tradutora consolidada. Meus recebimentos mensais chegavam constantemente a um patamar bom e, talvez justamente por isso, passei a investir mais na minha formação. Comecei com o curso de Produção Editorial da Unesp e, desde então, participo o máximo possível de cursos e webinars, muitos aqui do Multitude. Também participei dos meus primeiros eventos presenciais e me associei à Abrates, que já me rendeu frutos.

Ao repensar a minha trajetória para escrever este artigo, percebi como esses meus dois curtos anos de carreira se dividiram em etapas. Durante o primeiro ano, eu me estabeleci na profissão e me acostumei a ela. Durante o segundo, estou/estive correndo atrás de cursos de formação e de ações para me profissionalizar mais. Resta-me ver o que o terceiro e os demais anos me aguardam!

Aline Kachel Araújo é tradutora de inglês e japonês para português desde 2012. Graduada em Administração pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ela é associada da Abrates e especializada em legendagem.
E-mail: alinekachel@gmail.com | Skype: aline.kachel