Pergunta ao profissional: vamos falar de ética?

Há algum tempo discutimos a possibilidade de trazer os resultados das discussões do grupo para esta página. A ideia é beneficiar aqueles que não puderam comparecer aos encontros, talvez até por não saberem ainda de sua existência.

Assim, decidimos replicar aqui uma atividade que fizemos algumas vezes: a Pergunta ao profissional. Ainda que baseadas numa atividade simples — responder perguntas que ilustrassem aspectos únicos da experiência e prática de cada um — foram trocas de informação muito ricas e que achamos que valeria a pena compartilhar.

Funciona assim: qualquer pessoa pode responder à pergunta apresentada, usando a seção de comentários logo abaixo. Cada resposta que aparecer será incorporada à publicação.

A pergunta de hoje então é: quais são as características e atitudes de um profissional ético?

Luciana Helena Bonancio: Para mim, de uma maneira geral, um profissional ético é aquele que se preocupa com a visibilidade da profissão e acredita que a sua postura pode refletir na coletividade. Ele não fala mal dos colegas e não reclama da empresa onde trabalha, não rouba clientes dos outros e não deprecia o valor do trabalho, compartilha o que sabe e não tem vergonha de pedir ajuda quando não sabe, ele valoriza a formação profissional e prima pela qualidade, sempre.

Pergunta ao profissional: do que você gosta no seu trabalho?

Há algum tempo discutimos a possibilidade de trazer os resultados das discussões do grupo para esta página. A ideia é beneficiar aqueles que não puderam comparecer aos encontros, talvez até por não saberem ainda de sua existência.

Assim, decidimos replicar aqui uma atividade que fizemos algumas vezes: a Pergunta ao profissional. Ainda que baseadas numa atividade simples — responder perguntas que ilustrassem aspectos únicos da experiência e prática de cada um — foram trocas de informação muito ricas e que achamos que valeria a pena compartilhar.

Funciona assim: qualquer pessoa pode responder à pergunta apresentada, usando a seção de comentários logo abaixo. Cada resposta que aparecer será incorporada à publicação.

A pergunta de hoje então é: do que você mais gosta na sua prática profissional da tradução ou interpretação?

Andrea Andri Doris: “Estar em constante acesso com informações e novos conhecimentos. Como atuo em várias áreas, o trabalho acaba sendo fonte de estudo também.”

Thiago Hilger: “Do constante aprendizado. Cada novo trabalho é uma nova pesquisa, um novo estudo, e por fim, um novo aprendizado. Por mais que eu geralmente atue nas mesmas áreas, há sempre algo novo.
E claro, da criação de um texto traduzido. Porque traduzir não é apenas reescrever palavras com uma correspondência direta, há um texto sendo produzido, que merece dedicação e exige um pouco de criação. E assim o texto final tem naturalidade, fluência e (talvez) até beleza.”

Neli Raquel Miranda: “É honra traduzir ou interpretar o que é seleto, a ser publicado. Palavras tem corpo e alma e “texto” da raiz etimológica “tecido” ou “tecitura” merecem jóias se houver feedback e sucesso do autor.
Ao contrário dos bons, os maus textos podem começar como tecido xadrez e terminar listrado, ou traçam mapas que não chegam ao destino prometido, indignos de atenção. Não são eles aqui.
E a quem Estilo não encanta? Tanto quanto nos encanta trocar de roupas estilosas e a dinâmica das línguas vivas no palco!
Codificar e decodificar fala ou escrita seria nudez e vexame quando não for área de interesse e expertise, mesmo que jamais saberemos tudo, é risco querer aprender o básico nessa hora, então: adrenalina e humildade diante do inexorável.
Há línguas morrendo ou se matando? Não sou popular na minha cultura, o que me faz fugir para quaisquer novas ou até mortas entre aspas. Soothe?”

Márcia Nabrzecki: “De estar sempre aprendendo coisas novas, ficar a par das mais recentes tendências nas áreas em que atuo e ver como as empresas interpretam e incorporam essas tendências.”

Luciana Helena Bonancio: “Além do que alguns colegas já citaram, uma das coisas que eu adoro é ser dona dos meus horários, poder trabalhar sábado e domingo e ir ao cinema na segunda ou terça, quando a entrada é mais barata e os shoppings estão vazios. Outra coisa é poder levar meu trabalho comigo para onde eu quiser ir.”

Silvana Ayub: “Não atuo profissionalmente, como os amigos aqui do grupo, há cerca de cinco anos…mas nunca deixei de traduzir. O que sempre gostei e me faz apaixonada pelo ofício é o aprendizado constante, os desafios de cada texto, a busca pela palavra mais adequada, a possibilidade de compartilhar informação, a teoria e a história da tradução. É uma delícia no matter what! :)”

Pergunta ao profissional: antes e depois

escherHá algum tempo discutimos a possibilidade de trazer os resultados das discussões do grupo para esta página. A ideia é beneficiar aqueles que não puderam comparecer aos encontros, talvez até por não saberem ainda de sua existência.

Assim, decidimos replicar aqui uma atividade que fizemos algumas vezes: a Pergunta ao profissional. Ainda que baseadas numa atividade simples — responder perguntas que ilustrassem aspectos únicos da experiência e prática de cada um — foram trocas de informação muito ricas e que achamos que valeria a pena compartilhar.

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A pergunta de hoje então é: conte algo que você acreditava em relação à prática da tradução ou interpretação antes de entrar na profissão e que hoje você sabe que não é como você pensava.

Thiago Hilger: “Um mito da tradução que eu só identifiquei depois de me tornar tradutor é que a maior demanda de tradução é do segundo idioma para o idioma nativo, e não o contrário. Antes de traduzir profissionalmente, eu acreditava que o mais importante era ter meu inglês perfeito, e só depois percebi que, dada a demanda, é meu português que precisa ser perfeito. Outra coisa que eu não sabia era sobre o uso das CATs. Eu achava que tradutor só usava o Word e dicionários.”

Márcia Nabrzecki: “Eu tinha concepções errôneas que muitos leigos têm, por, na verdade, jamais ter pensado muito no assunto: tradutor trabalha com literatura ou filmes de cinema (e só); o tradutor é quem define o título (às vezes absurdo) dos filmes que passam no cinema; o tradutor tem acesso ao filme que está traduzindo (então, se há um erro grosseiro na tradução é porque não se deu ao trabalho de ver a cena), e por aí vai…”

Sheila Gomes: “Eu não tinha noção de quantos programas existem para auxiliar o trabalho do tradutor, e confesso que achava muito chata a tradução direta nos documentos, além de a correção ser arriscada, pois não é raro deixar passar erros por cansaço, por exemplo. Outra coisa que me chamou a atenção foi o apoio dos grupos T&I, sempre há gente disposta a ajudar e compartilhar conhecimentos, tanto on-line como presencialmente. Quem já participou de congressos e outros tipos de encontro sabe como é empolgante ter essas oportunidades de aprendizado e de conhecer tanta gente interessante.”

Minha história: Carolina Walliter

Meu primeiro contato com a tradução foi aos 14 anos, quando resolvi botar um fim à minha frustração com a “demora” do quinto volume de Harry Potter em português. Com um final de semana de ralação para traduzir algumas páginas de A ordem da fênix, descobri que essa coisa de traduzir era difícil à beça e nunca mais disse um “ai!” para reclamar dessa suposta lentidão na publicação das minhas séries estrangeiras favoritas. No entanto, encarei a dificuldade em traduzir literatura como uma oportunidade para começar a ler em inglês e, com isso, acabei ganhando a fluência necessária que me abriu muitas portas no futuro. A tradução em si, porém, caiu no esquecimento e só foi ressurgir anos depois, em meio a uma das muitas crises de identidade que a faculdade de História me proporcionou.

Pois é, sou de humanas da cabeça aos pés: me formei em História, mas todo semestre ficava na maior dúvida sobre largar a faculdade. Apesar de toda a paixão e identificação com a disciplina, conforme avançava nos períodos, mais certeza tinha que as possíveis opções de exercício da profissão não me fariam plenamente feliz. Assim, durante um final de semana trancada em casa em meio a textos e fichamentos, resolvi relaxar folheando uns trechos daquele livro do Harry Potter e lembrei da minha tentativa meia-boca de traduzi-lo. Bazinga! Um curso de tradução! Será que isso existe? Tradução é uma carreira, não é mesmo?

Com uma rápida pesquisa na internet descobri um curso profissionalizante em Ipanema; cinco minutos depois meu teste para admissão no curso de formação de tradutores estava agendado junto com a prova prática para o curso de formação de intérpretes. Duas semanas depois começava, feliz e animada, minha dupla jornada oficial no mundo tradutório como aluna do Brasillis. Foram quase dois anos de sábados inteiros dedicados à tradução e à interpretação, onde aprendi muito e amadureci horrores, conhecendo um universo bem diferente daquele mundo romantizado que imaginava sobre ser tradutora (aquele ar blasé de livros, intelectualidade, cheirinho de café e uma máquina de escrever vintage, sabe?) e intérprete (Nicole Kidman entreouvindo conspirações políticas na sede da ONU). Fui apresentada a um universo de trabalho complexo, diferente de tudo que conhecia, repleto de desafios que me instigaram a continuar nesse caminho.

Assim, aos vinte anos, tinha dois diplomas na mão, uma graduação em História já na metade e, obviamente, zero experiência. Assim, me lancei no mercado trabalhando em agências, onde ganhei experiência tanto na interpretação quanto na tradução. Os dois anos e meio que passei como linguista in-house foram verdadeiros laboratórios, onde entrei em contato com os mais variados tipos de texto, aprendi a usar CAT tools, compreendi o processo de gerenciamento de projetos de tradução e fiz muitos contatos profissionais, alguns com os quais ainda mantenho parcerias e grandes amizades.

Entretanto, só em 2013 que fui entender a importância dos rumos que a minha vida vinha tomando com a tradução/interpretação. Eu trabalhava com o que gostava, mas não dentro das condições que gostava; meu esgotamento físico e mental já era latente e minha insatisfação se generalizava. Sabe aquela sensação de que a vida espera de você muito mais que 40 horas religiosamente trabalhadas? Pois é. Aproveitei a deixa de alguns colegas que migraram para o esquema home office e me aventurei nessa também. E não me arrependi nem um pouco: além de trabalhar em condições privilegiadas (poupo energia com deslocamento, meu escritório tem o meu jeitinho e é ergonomic-friendly, etc.), desde então pude ter tempo para cuidar de mim por inteiro, me conhecer melhor e justamente perceber que as minhas ocupações profissionais são parte de um todo muito mais importante: a minha vida, que precisa e merece ser bem vivida. Assim, com pouco mais de um ano já no circuito self-employed, resolvi aproveitar o dinamismo de ser uma profissional virtual e parti para uma nova aventura: o nomadismo digital. Em meados de 2014 lancei o Pronoia Sem Fronteiras, meu projeto de vida pessoal-profissional, em Buenos Aires, onde morei e trabalhei em um coworking space por três meses, mesclando o prazer de viajar e conhecer novos lugares com a rotina de trabalho.

O dinamismo da vida autônoma permitiu que eu me engajasse em projetos paralelos que também me proporcionam muita satisfação e crescimento pessoal: hoje, além de traduzir e interpretar, sou revisora e colaboradora da Revista Capitolina e participo da Rede Méier+, uma rede colaborativa de revitalização da Zona Norte carioca.

Além da flexibilidade de trabalho, a tradução e a interpretação são ofícios que mexem com meu perfeccionismo e autocrítica, dosando-os de forma que não sejam elementos da minha ruína, mas componentes de um profissionalismo crítico e sincero. No mais, estou exatamente onde queria estar: no presente, vivendo, não meramente existindo, realizada e fazendo o que gosto. E claro, se em alguma das minhas andanças eu esbarrar com a Lia Wyler, faço questão de me desculpar!

Carolina Walliter é tradutora e intérprete no par inglês e português, com ênfase em projetos nas áreas de marketing empresarial, recursos humanos, TI, transcriação e segurança do trabalho. Escreve sobre o cotidiano do tradutor no Pronoia Tradutoria, onde também divulga suas impressões empíricas sobre o fenômeno do coworking.

Minha história: Jorge Rodrigues

Meu primeiro contato com o estudo de idiomas foi aos onze anos, na quinta série do ensino fundamental, em Porto Alegre. Era aquele inglês meia-boca de escola pública, bem mais ou menos, e que eu nem imaginava na época que seria o início da minha história de amor com a profissão que acabei por escolher: a de tradutor e intérprete. Após esse primeiro contato, nada de muito significativo aconteceu até 1978, quando, aos 14 anos, comecei o curso de inglês do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano, ainda em Porto Alegre. Fiz o curso completo, até o nível avançado, com ênfase em gramática, literatura inglesa e tradução.

Foi nesta última disciplina do curso que tive as primeiras aulas de técnicas de tradução, com um professor que havia estudado em uma das primeiras turmas do curso de formação de tradutores e intérpretes da Associação Alumni, que dispensa apresentações. Em seguida, prestei exames e obtive os meus certificados de proficiência em inglês: CPE (Michigan) e CPE (Cambridge).

Simultaneamente ao aprendizado de inglês, estudei francês na Aliança Francesa de Porto Alegre, italiano na Sociedade Italiana do Rio Grande do Sul e alemão no Instituto Goethe. Conclui os cursos de francês e italiano, mas não o de alemão: foram apenas dois semestres, o suficiente para adquirir apenas noções muito básicas da língua.

No início da minha vida profissional fiz algumas traduções ocasionais e fui professor em uma escola especializada em inglês para negócios e cursos de imersão. Dois anos depois, com três sócias, abri a minha escola de idiomas. Essa primeira aventura pedagógico-empresarial durou dois anos e meio, com altos e baixos e relativo sucesso.

Em 1992 minhas sócias e eu fechamos a escola e partimos para outros desafios profissionais. O meu foi tentar a sorte na Europa, em Lisboa, onde morei por quase um ano. Foi lá que, após um curto período como professor de inglês, fiz o que considero como o meu primeiro trabalho verdadeiramente profissional de tradução: participei de uma equipe que traduziu uma versão do Corão do inglês ao português.

A equipe, no caso, era composta por três pessoas. O editor, um português residente em Leiria, um sacerdote muçulmano, e eu. O trabalho era coordenado pelo editor, o sacerdote traduzia os versos sagrados do Corão (que não poderiam ser traduzidos por um “infiel” – eu, no caso) e eu traduzia as notas de rodapé que contextualizavam e explicavam os versos. Um trabalho interessantíssimo e o meu batismo de fogo! Outro ponto interessante foi o sistema de trabalho estabelecido pelo editor, que já era incomum na época e seria inimaginável hoje em dia. Ele enviava pelo correio algumas páginas do Corão em inglês, eu as traduzia a mão (ele fazia questão do texto manuscrito) e enviava as traduções para a editora pelo correio. Poucos dias depois eu recebia mais páginas do livro para traduzir e o pagamento pelas traduções entregues na correspondência anterior – em dinheiro vivo, cédulas mesmo, no envelope com o material novo. Assim passaram-se vários meses, até a conclusão do trabalho.

Naquela época, aproveitei algumas viagens curtas que fiz a Madri e Sevilha para estudar e aprender espanhol como autodidata. Praticamente decorei uma gramática de espanhol que eu havia comprado pouco antes de deixar o Brasil e atazanava até o limite a paciência de alguns dos meus amigos espanhóis sempre que tinha dúvidas. E assim, ao voltar ao Brasil, eu já havia assimilado mais um idioma.

No final de 1992 voltei ao Brasil para tentar a sorte em São Paulo. Trabalhei como professor de inglês em duas escolas de idiomas por alguns meses, até que, em julho de 1993 comecei a trabalhar como autônomo para uma agência de traduções chamada Styllus Traduções Comerciais. Foi lá que dei os primeiros passos como tradutor profissional em tempo integral, sob a orientação do Eduardo Tavares, que época era o tradutor-chefe da Styllus. Um grande tradutor e uma pessoa extraordinária, que foi muito importante no meu início de carreira. O melhor mentor que um iniciante poderia ter tido. Anos mais tarde tive o privilégio de contar com ele como colaborador e meu braço direito: trabalhou comigo por algum tempo, antes de se mudar para uma cidadezinha no interior de Minas Gerais.

Alguns meses mais tarde, fui contratado pelo Escritório de Traduções Aildasani, o embrião da atual Fidelity Translations. Aquele período de um ano e quatro meses como tradutor interno foi muito importante para a minha formação profissional. Aprendi muito com eles e só tenho boas lembranças daquela época.

Após essa experiência, no início de 1995 deixei a Aildasani para trabalhar por conta própria e começar uma pequena empresa de traduções, que administro até hoje. Seguiram-se quase vinte anos de muito trabalho e uma busca constante por aprimoramento profissional, com alguns períodos bons e outros nem tanto, coroados por algumas conquistas das quais me orgulho: os credenciamentos como tradutor e intérprete da Justiça Federal, tradutor do Tribunal de Contas da União e, mais recentemente, como perito do Tribunal de Justiça de Sergipe. E no final de 2013, após aprovação em concurso público em Sergipe, tornei-me tradutor juramentado (TPIC) de inglês e português.

Mas a minha busca pelo conhecimento continua, tanto que no início de 2013 decidi voltar à universidade para preencher algo que sempre considerei como uma lacuna na minha formação: a falta de embasamento nos aspectos teóricos da profissão. Encarei um novo vestibular e hoje estou cursando tradução e interpretação na Universidade Católica de Santos. Virei universitário da segunda idade e meia e estou adorando a experiência. Se tudo correr bem, a graduação será no final de 2015.

Enfim, enquanto tiver saúde e disposição, vou continuar fazendo o que cada vez mais amo fazer: ler, estudar, pesquisar e trabalhar como tradutor e intérprete, sempre lutando para pelo menos tentar sempre melhorar como ser humano e como profissional.

Agradeço à Sheila pelo convite para contar a minha história aos leitores do Multitude, deixo os meus dados de contato e fico à disposição, caso possa ser útil de alguma forma aos colegas.

E-mail: jorgerpr@uol.com.br | Skype: jorgerpr | Facebook | LinkedIn

Minha história: Fernando Campos Leza

Eu não vou lhes contar a história de Hans Castorp, mas uma coisa eu tenho em comum com esse personagem: nunca imaginei que minha viagem (na tradução) demoraria tanto tempo. Minha experiência como tradutor teve início em 1998, quando residia em Berlim. Lá conclui minha graduação em Filosofia, iniciada na Espanha e que, graças ao Erasmus (o programa europeu de intercâmbio universitário, não o filósofo), cursei um ano na Escócia e o último em Berlim.

Não sabia bem o que fazer após cursar Filosofia. Por isso, devido ao meu bom conhecimento de idiomas e por ter gostado da minha experiência na tradução, decidi investir nesta carreira. Mudei-me para Paris, fui aprovado nos exames de admissão da Escola Superior de Intérpretes e de Tradutores (ESIT), onde em 2004 conclui estudos de graduação e pós-graduação. Desde então, dedico-me exclusivamente à tradução profissional, atividade que combino com a revisão de textos em espanhol e com a interpretação de conferências.

Dez anos se passaram, e muitas coisas. Agora moro em Brasília e possuo uma pequena empresa de tradução. Gosto da aventura de ser um pequeno empresário e de continuar evoluindo na carreira. Muitos anos depois de ter começado a traduzir, por pura casualidade, estou bem estabelecido profissionalmente. Tenho bons e exigentes clientes — principalmente organismos internacionais, tanto aqui em Brasília quanto em Genebra e Washington — que valorizam a qualidade de nosso trabalho. E tenho a sorte de gostar do que eu faço.

Olhando para trás nesses anos de carreira e pensando nos colegas iniciantes, gostaria de identificar alguns aspectos que me ajudaram na profissão:

A formação em tradução é importante, pois permite aprender a traduzir antes de ser pago para isso. Na universidade, desenvolvemos o “reflexo do tradutor“, uma mosca da desconfiança atrás da orelha e um instinto para encontrar soluções aos problemas de tradução.

Há muitas coisas, porém, que não se aprende na faculdade e para isso é essencial participar de listas e fóruns de tradutores, para aprender sobre programas, recursos, tarifas, ideias para o negócio, etc.

É preciso investir: gasto, sem hesitar, em dicionários, livros sobre a língua espanhola e outras matérias, softwares, congressos, cursos e recursos.

É bom conhecer os seus limites. Desde o início impus-me a condição de traduzir somente para o espanhol, minha língua materna, devido à forte convicção de que nunca me expressarei em outra língua tão bem quanto na minha língua materna. Acredito que isso contribui para a qualidade dos meus textos.

Aprendi também (e demorei a aprender) que nós, tradutores independentes, somos empresários, e que para ter algum sucesso é preciso atuar como empresário. Aprendi isso no Empretec, um seminário organizado pelo Sebrae.

É necessário continuar aprendendo sempre e é bom compartilhar os nossos conhecimentos — nos sites, em fóruns online, em cafés com colegas, em congressos, etc.

Tenho certeza de que outros tradutores experientes dariam conselhos semelhantes.

Fernando Campos Leza é tradutor e intérprete, reside em Brasília e trabalha nos seguintes idiomas: espanhol, português, inglês, francês e alemão.
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